A segunda fase da DeRE saiu, e ela muda o trabalho da área fiscal antes mesmo de qualquer imposto ser recolhido. Com o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 3, de 19 de junho de 2026, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS liberaram a versão 1.1.0 da documentação técnica da segunda fase da DeRE (Declaração de Regimes Específicos / Escrituração), agora com os eventos de balancete mensal e de cálculo dos débitos.
Para CFOs, Controllers e gestores fiscais de empresas de médio e grande porte, essa é a etapa em que a Reforma Tributária deixa de ser tese e vira configuração de sistema.
O que muda com a segunda fase da DeRE
A primeira fase já estava operacional no ambiente de produção restrita e cobria as Informações do Contribuinte e o Plano Geral de Contas Comentado (PGCC). A segunda fase acrescenta o coração da apuração: os eventos de balancete mensal e o cálculo dos débitos de IBS e CBS.
Na prática, é aqui que o razão contábil encontra a escrituração fiscal. O PGCC funciona como a ponte entre o plano de contas da sua empresa e a estrutura que a Receita e o Comitê Gestor esperam receber. Se essa amarração não estiver correta, a apuração do IBS e da CBS nasce distorcida — e o erro só aparece quando já está difícil de corrigir.
Ambiente de testes: quem valida agora sai na frente
O ambiente de produção restrita, que já rodava a primeira fase, passa a ser o campo de testes da segunda. É onde as operações simuladas da DeRE são processadas para validação de sistemas, testes de consistência e ajustes operacionais. A Receita também abriu um canal específico de atendimento às empresas piloto e disponibilizou os documentos técnicos atualizados no novo portal do Sped.
A leitura estratégica é direta: existe uma janela para testar a integração antes que ela vire obrigação em produção. Empresas que só começarem a mexer no ERP quando o prazo apertar vão fazer configuração e correção ao mesmo tempo, sob pressão de fechamento.
Onde entra o seu ERP
A DeRE não é um evento isolado do departamento fiscal. Ela depende de dados que nascem no ERP — Oracle EBS, SAP ou JDE — e trafegam até a solução fiscal antes de chegar à escrituração. Alguns pontos que costumam concentrar risco:
- Plano de contas e PGCC: o mapeamento entre o seu plano de contas e o Plano Geral de Contas Comentado precisa estar íntegro. Contas mal classificadas contaminam o balancete mensal.
- Integração ERP × solução fiscal: os dados que alimentam o cálculo dos débitos de IBS e CBS precisam chegar completos e no formato esperado. Campos faltantes ou regras antigas de integração geram divergências difíceis de rastrear.
- Controles de fechamento: o balancete mensal exige conciliação entre o que o ERP registra e o que a escrituração declara. Sem controle sistêmico, a conferência vira trabalho manual e propenso a falha.
A ferramenta não é o problema — o processo ao redor é
Soluções como Tax One, Mastersaf DW e ONESOURCE entregam o resultado quando estão bem parametrizadas e integradas. O ponto de atenção quase nunca está na ferramenta em si, e sim nas lacunas de processo entre o razão contábil e a escrituração: parametrização incompleta, integrações que carregam regras defasadas e ausência de conciliação sistemática ao redor do sistema.
É por isso que a pergunta certa não é “a minha ferramenta está pronta para a DeRE?”, e sim “os controles e as integrações ao redor dela estão maduros o suficiente para sustentar o balancete mensal?”.
O que fazer agora
- Revisar o mapeamento do plano de contas para o PGCC e validar a consistência do balancete no ambiente de produção restrita.
- Testar a integração entre o ERP e a solução fiscal com operações simuladas, antes de a obrigação virar produção.
- Estruturar a conciliação entre o razão contábil e a escrituração da DeRE como processo recorrente, não como esforço pontual de fechamento.
A segunda fase da DeRE é um daqueles marcos em que preparação antecipada separa quem vai fechar com tranquilidade de quem vai apagar incêndio. A documentação técnica já está disponível e o ambiente de testes está aberto. O momento de mapear o que a DeRE exige do seu ERP é agora.
A WMX Consultoria combina expertise fiscal, integração de ERP (Oracle EBS, SAP e JDE) e desenvolvimento próprio para implantar e sustentar as soluções Thomson Reuters no ambiente de cada cliente. Se a sua empresa está estruturando a apuração de IBS e CBS, fale com a nossa equipe.
Fonte: Receita Federal / CGIBS — Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 3, de 19 de junho de 2026, publicado em 24/06/2026.

